Crise energética ou crise de planejamento

Um dos motivos da crise é a falta de revisão da Garantia Física de todos os projetos atualmente em operação

É do conhecimento de todos que acompanham o setor de energia do país que a falta de chuva não é o único fator responsável pela atual crise energética. Foi a inépcia não somente deste atual governo que se refletiu por meio de decisões incorretas que agora acarretam o aumento do preço da energia e o possível risco de racionamento.


Um dos motivos da crise é a falta de revisão da Garantia Física de todos os projetos atualmente em operação. As hidrelétricas construídas nas décadas passadas e as novas pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) têm o uso d’água não somente para geração de energia, mas também para abastecimento humano, consumo industrial e agricultura. Acrescente-se a isso o assoreamento dos rios causado pelo desmatamento e destruição das nascentes.


Outro motivo foi a decisão dos órgãos ambientais de não permitir a construção de projetos hídricos com armazenagem, ou seja, são apenas licenciados projetos de fio d’água. São classificadas usinas hidrelétricas como fio d’água as que utilizam reservatório com acumulação suficiente apenas para prover regularização diária ou semanal, ou ainda as que utilizam diretamente a vazão afluente do aproveitamento.


As decisões deveriam ser técnicas em relação aos reservatórios, mas são fortemente impactadas pelo terrorismo ambiental, que alimenta a sociedade com informações falsas tais como emissão de CO2 pelos reservatórios e como consequência a afirmação que as fontes hídricas contribuem negativamente para as mudanças climáticas , entre outras.

Devemos lembrar que os reservatórios têm usos múltiplos para sociedade, indo além da geração de energia, como por exemplo : em eventos de cheias servem para amortecer e conter os fortes volumes d’água que inundam as cidades; e para o consumo humano das grandes cidades que frequentemente estão em racionamento e rodízio de abastecimento d’água.


Outro erro foi a decisão de organizar leilões baseado na modicidade tarifária. Ou seja, quanto menor o preço da energia oferecida ao sistema, maior o volume contratado, deixando de lado a segurança do sistema. Deveria haver uma combinação entre segurança e modicidade tarifária. Ao optar por preço, em algum momento a sociedade terá de apelar ao uso das térmicas, uma energia muito mais cara do que as demais fontes.


Diante do exposto, faz-se necessário elaborar um planejamento da matriz energética sem influência política e com decisões técnicas, iniciando pela:


• Revisão da Garantia Física dos projetos hoje existentes; • Licenciamento de hidrelétricas com reservatórios; • Contratação de outras fontes de energia sem intermitência e com capacidade de armazenamento; • Revisão da política de modicidade tarifária da Aneel versus Segurança do sistema;


Em nossa opinião, esses são os primeiros passos necessários para o enfretamento da crise energética/hídrica e evitar um racionamento igual ao de 2001. E deixar de culpa as chuvas e pedir novamente para a população e as industrias para racionar o consumo de energia.


Por Julien Dias, Diretor da Economizenergia.



Referências:

https://www.canalenergia.com.br/artigos/53182615/crise-energetica-ou-crise-de-planejamento


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